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jul 27

Minha Opinião: A Magia Falha de Fairy Tail

Fairy Tail

No último domindo, dia 23, foi lançado o capítulo final do mangá Shounen Fairy Tail. Após 11 anos de publicação, Hiro Mashima finalmente concluiu sua obra de maior sucesso. Por muito tempo, Fairy Tail esteve no topo entre os mangás de maior sucesso, mas, apesar das ótimas vendas, ele nunca foi um título que agradou a todos. Aproveitando o término recente da série resolvi expôr a minha opinião sobre este título e indicar o que gostei e não gostei no mesmo. Já aviso que haverão muitos SPOILERS, então não leia a análise se não tiver terminado de ler ainda.

Como conheci Fairy Tail

Eu comecei a ler o mangá a muitos anos atrás, no entanto o primeiro contato que tive com a série foi através do anime. Após assistir o anime foi que eu tive interesse em ler o mangá. Eu estava curioso sobre como o enredo estava se desenrolando. Ao contrário do mangá que tinha serialização contínua, o anime teve pausas períodicas para que o mangá pudesse se distanciar dele. Eu estava realmente interessado e não quis esperar sabe-se lá quantos meses para que a série animada voltasse. Então busquei ler o mangá em sites na internet. Ele já é publicado de maneira oficial no Brasil pela Panini Comics, então quem quiser colecionar já pode fazê-lo. Eu tenho alguns volumes, ms como eu sou um quebrado tive de ir atrás das opções não oficiais infelizmente.

Enredo

Uma das coisas mais importantes pra mim quando estou lendo alguma história é a consistência do enredo e o desenvolvimento dos personagens. Caso estes aspectos sejam falhos a coisa já começa a desmoronar para mim. Tudo que for colocado precisa ser aproveitado de alguma maneira. Isso vale pra absolutamente tudo, até mesmo elementos menores como personagens secundários e romances paralelos.

Explicando de maneira rápida, no mundo desse mangá a magia é o elemento dominante. Magos e humanos convivem nesse mundo fantástico. Os magos se organizam em guildas e recebem pedidos de pessoas comuns para a realização de diversos serviços em troca de dinheiro. Fairy Tail é o nome da guilda central do enredo sobre a qual tudo se desenrola. É uma explicação extremamente simplificada, mas se eu for detalhar vai demorar uma eternidade, então vou deixar só essa premissa básica para quem não conhece.

Progressão

O progresso do enredo em Fairy Tail foi bem diferente de outros mangás que já tinha lido. Ao invés de desenrolar a história através de arcos super longos, Hiro Mashima, inicialmente, deu preferência a arcos pequenos e rápidos. Ele aproveitava para desenvolver um ou dois personagens no máximo por arco. Fairy Tail possui uma gama muito grande de personagens e desenvolver todos em arcos muito longos deixaria a história cansativa muito rápido. Portanto, ele acertou ao investir nos arcos menores.

No entanto, quando ele resolveu adentrar nas partes mais profundas da história, nas quais cada arco faria uma conexão um com o outro para manter a história consistente, ele acabou deixando os arcos cada vez mais longos um após o outro. O fato de que cada arco introduzia outros personagens que também precisavam ter algum tipo de desenvolvimento acabou deixando a história muito mais lenta e cansativa. Isso acabou fazendo o último arco ter um desenrolar similar ao do arco final do mangá do Naruto: lento, tedioso e previsível.

Em termos gerais, eu diria que Mashima conseguiu manter a consistência do enredo na maior parte da história. Mas ele perdeu o toque bem próximo do final. O vilão Acnologia foi subaproveitado, apesar de ser mencionado durante boa parte da história.

Edolas

O pior de tudo foi o arco de Edolas. Aquele arco foi completamente inútil para o enredo central e não teve qualquer impacto significativo no desenrolar da história. O único personagem aproveitado foi o Lily. Nenhum outro personagem foi aproveitado, nem mesmo os Exceed (gatos voadores mágicos, mascotes desse mangá). Parece que a única razão para a inclusão desse arco foi ressuscitar a Lisanna. Essa personagem havia morrido de uma maneira trágica no passado e era uma grande amiga (e possível interesse romântico) do personagem principal, Natsu. A morte dela trouxe um pouco de amadurecimento para alguns personagens e ajudou os mesmos a crescer na história (Mirajane e Elfman, irmãos dela).

Então, do nada, Mashima inventa a desculpa esfarrapada de um buraco dimensional para o qual a garota foi sugada e foi parar nessa dimensão alternativa chamada Edolas, onde existem personagens exatamente iguais aos do mundo principal, só que com personalidades invertidas. Ela, então, passa a viver junto da Fairy Tail dessa dimensão. No final do arco, ela simplesmente retorna com os outros para o mundo dela.

Pouquíssimo aproveitamento

Alguns outros personagens são relevantes para esse arco em específico: Mystogan, um dos magos de elite da Fairy Tail e a médica da guilda. Mas o que importa é o fato de que, após o retorno deles do mundo de Edolas, as dimensões se fecham e qualquer comunicação entre esses dois mundos é cortada. Qual o resultado disso? Nada do que aconteceu lá tem relevância para o resto do enredo. Uma total perda de tempo. Isso seria mitigado se o autor tivesse feito bom uso dos personagens que vieram desse arco. No entanto, apenas Lily teve alguma importância e não foi nada que influenciasse a história de maneira decisiva.

E a Lisanna? Absolutamente nada. Ela foi jogada no limbo dos personagens secundários e não teve qualquer desenvolvimento extra. Nenhum impacto no enredo, nenhum inimigo derrotado e nem ao menos a relação dela de amiga de infância com o Natsu foi aproveitada. Pra quê?! Se não iria utilizá-la para nada, por que trazê-la de volta? Quando estava morta, ela, ao menos, trazia um pouco de melancolia e simbolismo para a história. Mas depois que foi ressuscitada foi tudo por água abaixo. Isso foi simplesmente péssimo.

Batalhas

Por se tratar de um Shounen espera-se bastante das cenas de ação e batalhas. Em termos gerais, elas são muito boas e bem detalhadas. Os traços do artista são muito bons e os cenários também ajudam no clima das lutas. No entanto, já surge outro problema: previsibilidade. Hiro Mashima faz um ótimo trabalho no detalhamento das cenas, mas peca na sua habilidade de dar drama e tensão às mesmas.

O traço e os detalhes são destaques do trabalho de Hiro Mashima.

No começo do mangá quando o autor está iniciando e definindo seu estilo e o rumo da história não é possível prever o que vai acontecer. No entanto, depois de já ter se estabelecido, caso não haja um esforço pelo próprio autor, a história acaba ficando muito previsível. Isso se aplica às batalhas também. Mashima apela demais para o poder da amizade e milagres para sempre colocar as lutas a favor da Fairy Tail. Isso se tornou algo muito corriqueiro e graças a isso eu não esperava nada das lutas nos arcos finais. Eu já sabia o que ia acontecer.

Mashima também não sabe matar personagens. Seja por medo da reação do público ou por apego a esse ou aquele personagem, ele não dá fim a ninguém. Isso tira toda a dramaticidade do enredo e das lutas, pois não importa o quão ruim a situação esteja, nós já sabemos que, por algum milagre, vai dar tudo certo no final e todo mundo vai ficar bem. O pior de tudo foi ele ter ressuscitado Makarov no final do mangá (ele tinha se sacrificado no arco final), um personagem que deveria ter saído de cena na metade do mangá ao fim do arco da Ilha Tenrou.

Personagens

Chegando ao segundo ponto de grande importância. Eu acabei de mencionar como Mashima fez a cagada terrível de reviver uma personagem e não utilizá-la para absolutamente nada. Esse é um dos grandes problemas de Fairy Tail: a quantidade de personagens mal aproveitados. A guilda de Fairy Tail é uma das maiores e mais conhecidas. Logicamente, era de se esperar que ela fosse ter muitos personagens. No entanto, Mashima não somente exagerou nesse quesito como também deixou a maior parte dos personagens sem qualquer tipo de desenvolvimento.

Não são apenas os magos da Fairy Tail. Esse problema chegou a atingir um dos vilões principais do mangá, Acnologia. Apesar dele ser mencionado muitas vezes ao longo da história, Mashima não se preocupou em dar o espaço necessário ao desenvolvimento do personagem. Resultado: um vilão vazio e sem propósito e que tenta justificar suas ações em poucas falas nos momentos finais da história.

Grande quantidade, pouca qualidade

Esse problema dos personagens mal aproveitados não ocorre só em Fairy Tail. Esse é um dos problemas que me faz não gostar de Dragon Ball como já falei na minha análise do mesmo. Mas aqui a coisa é muito mais acentuada, por que Mashima introduzia novos personagens a cada arco. E, ao invés de dar um pouco de espaço para que outros personagens da Fairy Tail pudessem se destacar, ele preferia dar enfoque nos personagens recém-introduzidos.

O cúmulo disso aconteceu durante o primeiro Time Skip (momento, no qual há um salto no tempo da história de vários anos). Quando os personagens principais acordam, após ficarem congelados no tempo por 7 anos encontram a guilda aos pedaços sendo suportada apenas pelos personagens secundários. Seria esse o momento ideal para mostrar um pouco de evolução por parte dos secundários, mas não! Ao invés disso, vamos fazer com que eles pareçam extremamente patéticos e fracos para que o retorno dos principais seja mais impactante! E assim foi feito: eles passaram 7 anos como saco de pancada de outras guildas e sendo humilhados no Grandes Jogos Mágicos que seria o palco do próximo arco. E aí coube aos principais ir lá vingar eles e mostrar como são os fodões! Que porcaria viu… Haviam tantos personagens com potencial dentre os secundários e eles foram deixados de lado para serem comédia pastelão.

Romances

Sinceramente, eu gostaria de poder ignorar esse quesito, já que eu detesto chipping de qualquer tipo em Shounens, mas Fairy Tail possui uma quantidade absurda de “possíveis casais” e é um dos assuntos mais abordados pelos fãs. Sério, eu abandonei a página do Facebook, Fairy Tail Brasil, porque esse era o único assunto abordado lá. Não falavam de outra coisa! Era um saco! Mas não dá pra evitar esse quesito. Ah, e ele também é problemático, por sinal.

Vocês perceberam que eu coloquei “possíveis casais” lá em cima. Bem, é porque Mashima nunca sai disso! Ele escolheu ficar apenas na insinuação, até mesmo com os casais extremamente óbvios como Erza e Jellal. Mashima sempre usou qualquer oportunidade possível para insinuar as possibilidades de casais, o que ouriçou bastante a base de fãs, especialmente a parte feminina.

No entanto, chegamos ao final da história, onde geralmente dá-se a conclusão para esse tópico também. E o que ele fez? Insinuou. É, ele não teve coragem para fechar oficialmente qualquer um dos casais. Até os óbvios. A única exceção foram Mavis e Zeref, mas isto porque a relação entre os dois foi ponto-chave do enredo. Eu não me incomodei, mas tenho certeza que quem queria um fechamento pra isso não deve estar nada feliz.

Não, nem o casal mais esperado foi fechado. Pedras serão atiradas.

O que realmente faltou

Mas o que me incomoda não é o fechamento dos casais, mas a irrelevância dos mesmos. Como eu já disse, eu gosto que tudo seja aproveitado numa história. Se tem que ter romance, então que ele seja relevante ao enredo. Que tenha algum impacto! Quer exemplos? Quando Hinata quase se matou para salvar Naruto durante a batalha contra Pain. Aquilo foi bastante relevante. Ou como em My Hero Academia, o autor já deixou óbvio o interesse romântico  de Uraraka em Midoryia e como ela está optando por reprimir seus sentimentos para focar em seu objetivo: se tornar uma heroína profissional e melhorar a vida financeira dos pais dela. Tenho certeza que isso ainda vai ser bem relevante mais pra frente.

Em Fairy Tail, nenhum dos possíveis casais teve impactos importantes no enredo. Nada que fosse afetar o mundo ao redor, apenas a relação entre os próprios personagens. Resumo da ópera: Mashima também falhou feio nesse quesito.

Plágio?

Outro ponto controverso que costumam abordar ao criticar Fairy Tail é o design de alguns personagens. Em particular, a semelhança (ou quase igualdade) entre Gildarts e Shanks de One Piece. Segundo o que ouvi falar, Mashima já trabalhou como assistente de Eiichiro Oda (criador de One Piece), então eu creio que trata-se apenas de uma homenagem. Independente do que seja, esse tópico é pouco relevante, pois o que importa é a qualidade do mangá em si.

À direita está Shanks de One Piece e à esquerda Gildarts de Fairy Tail.

Fan Service

E aqui está uma das características principais do mangá de Hiro Mashima: excesso de Fan Service. Pra quem não sabe o que é, Fan Service (Serviço para Fãs) é um termo utilizado para caracterizar o uso de imagens apelativas para chamar a atenção do público. Em mangás e animes isso geralmente está associado a imagens com apelo sexual sem chegar a ser explícito. Pois bem, Fairy Tail usa e abusa disto para chamar a atenção do seu público-alvo: rapazes e jovens adultos.

Existem muitas cenas e painéis no mangá ou cenas do anime em que o enfoque está nas características corporais das personagens femininas. Quase todas possuem seios ultra largos e formas sensuais para prender a atenção do público com hormônios à flor da pele. Existem também menções a outros tipos de Fan Service que são ainda mais inadequados (lolicon, não pesquise do que se trata pro seu próprio bem). Fairy Tail é facilmente o mangá Shounen mais apelativo que existe. Seu único competidor nesse quesito era Shijou Saikyo no Deshi Kenichi que também já chegou ao final. Nanatsu no Taizai também é bem apelativo.

O que eu acho disso? Não me importo. Quem gosta, gosta. Quem não liga (meu caso), vai ficar de boa. Agora se você não gosta, então esse quesito já vai lhe afastar desse mangá na hora. Não há muito o que fazer quanto a isso. Faz parte da estratégia dele para vender mais. E deve ter dado certo já que o mangá durou 11 anos.

Anime

Vou aproveitar e falar um pouco sobre a adaptação em anime também. Em termos gerais, o anime é bem feito e possui uma boa animação, mas sofre por causa da censura. Não há sangue no anime e isso diminui o impacto das cenas de luta. O Fan Service ainda existe, mas é um pouco mais leve.

A série também tem fillers sendo que dois desses arcos são canônicos. Isso quer dizer que eles fazem parte da história mesmo, não é algo inventado só para o anime para ganhar tempo. O primeiro ocorre a partir do episódio 125 e vai até o 150 e o segundo vai do episódio 204 a 218. Os dois são bem sem graça, na minha opinião.

Fairy Tail também teve um filme lançado baseado na adaptação animada. Eu achei fraco e desinteressante. Há um segundo filme em desenvolvimento com previsão de lançamento para este ano ainda.

Conclusão

Fairy Tail foi um mangá com um ótimo início, mas sofreu uma queda de qualidade considerável perto do final. Muitos personagens foram mal aproveitados, o arco de Edolas não levou a nada sendo mais filler que os fillers do anime e as batalhas e enredo em geral ficaram previsíveis demais. Isso tudo culminou num final vazio e decepcionante, onde não se concluiu absolutamente nada sobre os personagens ou o mundo ao redor. Basicamente, o final diz que, após a batalha final tudo voltou a ser como era antes e é isso. Nem sequer os pares românticos, insinuados durante o mangá todo, foram fechados.

Eu sinceramente não recomendo o mangá. Sério, as partes finais ficaram muito chatas e previsíveis. as lutas ficaram mais impressionantes, mas do que adianta se eu já sei o que vai acontecer? O arco final também foi bem corrido. E mesmo assim, ele foi tedioso pra caramba. Infelizmente, Fairy Tail começou com muita promessa e terminou incrivelmente vazio. E isso não me empolga para o segundo filme ou futuros trabalhos de Hiro Mashima.

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