«

»

nov 30

Torchlight I e II – Verdadeiros Sucessores do Diablo II?

torchlight

Torchlight é uma série de jogos no estilo RPG de ação para computadores produzido pelo estúdio independente Runic Games. Dois dos co-designers do clássico Diablo II, Max Schaefer e Erich Schaefer, estiveram envolvidos no desenvolvimento do jogo. Estes games possuem grande inspiração no mesmo e são considerados por algumas pessoas como os verdadeiros sucessores (em termos de jogabilidade) do Diablo II.

 Torchlight

O primeiro Torchlight foi lançado em 2009 para Windows, mas também possui versões para Linux, X-Box Live Arcade e OS X. O game conta a história de aventureiros que buscam respostas sobre a origem do Ember, um mineral mágico que pode encantar ou corromper tudo que toca. Torchlight é o nome da cidade onde o enredo se desenrola. Os jogadores irão se aventurar pelas minas e pelo subterrâneo da cidade e encontrarão civilizações perdidas, ruínas e muitos outros locais misteriosos que foram influenciados pelo poder do Ember. O enredo é simples e direto.

Gráficos

O estilo visual deste game é simples, porém isso não significa que seja ruim. Torchlight é mais cartunesco e colorido e foca mais na fantasia. É bem diferente de jogos como Diablo, cuja ambientação é mais realista e sombria. O game também é leve, não é necessário um super computador para rodar este jogo, o que o torna mais acessível.

O visual cartunesco também se apresenta nos modelos dos personagens e inimigos. Como eu disse, este jogo foca mais na magia e fantasia e não possui visuais grotescos, sangrentos e intimidadores de jogos como Diablo. Há sangue no jogo, mas em quantidade bem menor. Os cenários são bonitos e bem construídos e os efeitos visuais cumprem o seu papel muito bem. No fim, dependerá de cada um a aprovação ou não do estilo visual. O jogo não é feio, é apenas diferente. Se você vai curtir ou não, irá depender do seu gosto pessoal.

Som

Se você jogou Diablo II, a primeira coisa que irá reparar em Torchlight, assim que entrar no jogo, será a trilha sonora. A inspiração em Diablo II é simplesmente óbvia demais. As melodias são calmas, mas também passam uma sensação de inquietude, enquanto se explora as dungeons no jogo. Funciona da mesma maneira que o Diablo II. É bem legal pra quem jogou e curtiu esse clássico.

A dublagem é ok. Não há nada muito especial para se falar neste quesito. Os sons das criaturas também não são nada de muito especial. Cumprem o seu papel, mas nada de excepcional. Outros efeitos sonoros como os de golpear, tiros de armas e outros também funcionam bem. É o básico para um jogo deste tipo.

Jogabilidade

Pet

Torchlight traz algumas inovações muito bem-vindas à fórmula padrão dos RPGs de ação. Sempre quando você cria um personagem, você deve escolher um pet (bicho de estimação). Neste jogo, só há duas opções nesse quesito: gato ou cachorro. Meio decepcionante, mas nada que atrapalhe. A grande questão é o fato do seu pet ser um companheiro ativo que lhe ajuda em combate, possui seu próprio inventário, pode usar dois anéis e um amuleto e pode até aprender e usar magias.

O pet é uma ótima adição, já que ele funciona muito bem e ajuda mesmo nas batalhas. O inventário extra também ajuda. Sem falar que você pode comandar o pet para ir até a cidade e vender/comprar itens para você. Basta mover tudo que você não deseja manter para o inventário do bicho e ordenar a ele que vá a cidade. Enquanto ele estiver na cidade, você terá de se virar sozinho. Inicialmente leva um minuto para que o pet volte da cidade. Mas, a medida que você avança no jogo, o tempo irá aumentar consideravelmente. Apenas a habilidade passiva Pet Mastery e alguns itens podem ajudar a diminuir o tempo da viagem.

Outra coisa a se mencionar é que você pode pescar em certos locais no jogo. Os peixes obtidos podem ser usados para transformar o seu pet em outras criaturas com habilidades especiais por um tempo limitado. Isso é bem bacana.

Inventário

O seu inventário é dividido em três abas: equipamentos e consumíveis; magias; e peixes. Isso ajuda a deixar as coisas mais organizadas e menos congestionadas. No entanto, seu inventário é bem pequeno, mas isso se deve ao fato do pet ter seu próprio inventário. Como você pode transferir itens e mandar seu pet vendê-los na cidade, você pode ficar muito mais tempo se dedicando às partes mais divertidas do jogo.

Cada personagem possui um baú próprio na cidade para guardar itens valiosos que encontrar. Mas também há um baú compartilhado que pode ser acessado por qualquer personagem. Assim você não precisa vender aquele item único que você achou, mas que não é útil para o personagem que você está jogando.

Níveis

O sistema de evolução é bem diferente do Diablo II. Há três classes de personagens no jogo: Destroyer, voltado a combate corpo a corpo; Vanquisher, voltada a combate a distância; e Alchemist, que usa magias e invocações. A cada nível ganho o jogador ganha cinco pontos de atributo para distribuir livremente entre os quatro atributos principais: Strenght (força); Dexterity (destreza); Magic (magia); e Defense (defesa). Você também ganha um ponto de técnica a cada nível para melhorar sua skills. As semelhanças ao Diablo II param aí.

O jogo possui um sistema de fama. Quando você completa certas missões ou mata monstros poderosos, você ganha pontos de fama. Ao alcançar um nível de fama, você ganha um ponto de técnica para habilitar ou melhorar suas skills. Skills possuem restrição de nível, mas não possuem nenhum outro tipo de restrição. Ou seja, diferente do Diablo II, onde era preciso investir pontos em certas skills para destravar outras, em Torchlight basta atingir o nível adequado para poder destravar as skills. Isso dá mais liberdade ao jogador.

Outra coisa que devo falar é o fato de que há skills que são compartilhadas pelas três classes. São técnicas passivas que focam na melhoria no manejo de certas armas, melhor chance de encontrar itens mágicos, descontos em lojas e mais. As técnicas específicas de classe tendem a ser mais independentes umas das outras.

Mecânicas

O jogo também possui outras mecânicas interessantes. Alguns NPCs na cidade oferecem alguns serviços únicos. Um deles pode encantar os seus itens e adicionar encaixes ou novas propriedades mágicas. O efeito é aleatório, no entanto. Há a possibilidade de nada ocorrer ou pior ainda: a possibilidade do seu item perder encantamentos, portanto é preciso avaliar bem antes de encantar itens.

Também existe um NPC que permite a fusão de itens para a criação de novos itens. Você pode acumular vários itens e tentar criar outros a partir deles. Os resultados também são aleatórios. Avalie bem antes de usar itens valiosos no processo.

Dungeons e missões

Os objetivos e missões do jogo são repetitivos. Fora as missões principais que avançam o enredo, também há as missões secundárias e são elas as que se repetem muito. Existem alguns NPCs específicos na cidade que lhe dão estas missões. Elas consistem basicamente de encontrar um item específico em um certo andar; matar um monstro específico em determinado andar; ou entrar em um portal e explorar uma dungeon opcional em busca de um item raro. Falta variedade.

Fora isso, as missões do enredo são extremamente lineares. Basta seguir em frente e ir descendo a andares mais profundos até alcançar o chefe. Derrote o chefe, veja o desenrolar do enredo e então libere o caminho para descer mais e mais. E fica nisso até chegar no chefe final. Os ambientes e inimigos são diferentes, no entanto, e isso ajuda a não deixar as coisas muito monótonas.

Por fim, ao derrotar o último chefe, é possível continuar se aventurando. Abre-se uma dungeon opcional e um novo NPC surge com novas missões. Essa última parte visa apenas a finalização do seu personagem e a busca pelos itens mais poderosos. Ou o jogador pode usar a mecânica de aposentar o personagem. Isso exclui o personagem tornando-o indisponível, mas o próximo personagem do mesmo tipo que você criar ganhará vários bônus para iniciar a aventura, o que pode ser vital caso você deseje vencer na maior dificuldade.

Finalizando

Torchlight é um ótimo jogo, porém um pouco repetitivo e bastante linear. O estilo visual pode ser um ponto negativo para alguns. O jogo dá mais liberdade ao jogador, mas as opções de customização não são muitas. Ele trouxe várias inovações muito bem-vindas para o gênero e é bastante acessível, mesmo para quem tem PCs mais fracos. Também há suporte completo a mods. Ele só pode ser jogado single player, no entanto. É, não há modo multiplayer neste jogo, nem mesmo online e isso provavelmente irá matar o game aos olhos de muitos.

O jogo custa R$ 25,00 na Steam e é uma boa opção para quem curte RPGs de ação e deseja muitas horas de diversão. Ele também possui uma versão de demonstração para quem quiser testar antes de comprar. Clique aqui para ir até a página do jogo na loja Steam.

Torchlight II

Em 2012 foi lançado o Torchlight II para Windows. Apenas em 2015, vieram versões para Linux e OS X. O game é a sequência direta do primeiro jogo e conta a história a partir do final do primeiro. O enredo começa com o vilão saindo das minas de Torchlight e destruindo a cidade. Um dos três heróis do primeiro jogo foi corrompido pelo poder do Ember e pretende destruir o equilíbrio entre os elementos. Agora um novo grupo de heróis irá se erguer para impedir que uma catástrofe ocorra.

O enredo deste jogo expande o universo do game. Desta vez, o jogador não está mais confinado aos subterrâneos de Torchlight e poderá explorar o mundo do game passando por vários locais únicos. A história em si continua simples e direta. Não há muito o que comentar. É notável, no entanto, a referência ao Diablo II neste quesito, já que, assim como naquele game, também passaremos o jogo perseguindo o vilão pelos vários atos antes de chegar ao confronto final.

Gráficos

Esse foi o ponto mais notável em termos de evolução em relação ao antecessor. Torchlight II melhorou em tudo no quesito gráficos. Os modelos dos personagens estão muito mais bonitos e detalhados, as animações são muito boas, os efeitos visuais são incríveis e os cenários são ricos, bonitos e cheios de detalhes. O estilo visual não foi alterado. Ele continua cartunesco, mas eles claramente tentaram se aproximar um pouco mais do realismo. Os cenários são grande prova disto, já que são super detalhados e interessantes.

Os modelos de todos os personagens e inimigos sofreram um grande upgrade e ficaram impressionantes. As batalhas contra chefes detalham isso muito bem por sinal. O game também possui uma ambientação bem mais escura se comparado a seu antecessor. Isso demonstra que eles tentaram ficar mais próximos de Diablo, mas sem arriscar perder a identidade da franquia.

O mais surpreendente nisso tudo é o fato de que o jogo continua leve. Apesar da gigantesca melhora no visual, o jogo continua funcionando bem em computadores mais fracos. Aliás, devo dizer que no meu PC antigo, o Torchlight II rodava melhor que o Torchlight. Isso mostra que o motor gráfico do game foi muito bem utilizado e otimizado em relação ao game anterior gerando melhor uso de recursos do PC.

Som

A parte sonora continua muito boa neste game, mas alguns aspectos também foram melhorados. Pela história ser mais longa, há mais dublagem e ela está muito melhor que no jogo anterior. Já as músicas continuam com o mesmo estilo do anterior. Todos os outros efeitos sonoros continuam tendo uma ótima qualidade e muitos outros efeitos foram adicionados, devido à maior variedade de ambientes e inimigos. O game também passou por uma grande melhoria neste quesito.

Jogabilidade

Pet e inventário

As mesmas mecânicas dos pets e inventário existe neste jogo. Existem apenas algumas novidades. Agora os pets possuem equipamentos próprios. No jogo anterior, eles podiam usar anéis e amuletos. Agora eles possuem coleiras e acessórios. O número de encaixes não se alterou, mas os bônus dos novos equipamentos são mais direcionados aos pets. Também há variantes únicos destes itens. O pet continua podendo aprender e usar magias e ir até a cidade para vender itens. Há uma variedade maior de pets para se escolher como Falcão, Bulldog, Furão e outros.

A mecânica de pescar continua existindo e ainda é possível transformar seu pet em muitas criaturas diferentes. Você pode até fazer a transformação ser permamente. Depende apenas do tamanho do peixe usado. Quanto maior, mais longa a duração.

O sistema de inventário é o mesmo de antes. O tamanho do inventário aumentou um pouco mais e continua sendo possível salvar itens que um personagem não precisa para dar a outro.

Níveis

Outra coisa que não foi alterada foi o sistema de evolução. Você continua ganhando 5 pontos de atributo e 1 ponto de técnica por nível ganho. O sistema de fama também continua sem alterações. O que mudou foram as árvores de técnicas de cada classe. Neste jogo cada classe possui habilidades ativas e passivas diferentes distribuídas por três diferentes árvores de habilidades. Cada habilidade pode receber um total de 15 pontos e, novamente, existe apenas a restrição por nível.

As habilidades passivas que eram compartilhadas pelas três classes do primeiro jogo não deixaram de existir. Elas foram removidas das árvores de habilidades e transformadas em magias que podem ser aprendidas a partir de scrolls. O objetivo disso foi deixar cada classe completamente independente e única e possibilitar mais caminhos para a customização da cada personagem. É um sistema mais complexo, mas bem mais interessante e diversificado do que o do game anterior, então é um ponto bastante positivo.

Mecânicas

Houveram alterações em algumas das mecânicas do jogo. Encantar itens ainda produz efeitos aleatórios, mas eles são garantidos. Também não existe a possibilidade de perda de encantamentos pelos itens. A grande mudança foi a adição de NPCs que fazem diferentes tipos de encantamento. Por exemplo, existe um NPC raro chamado Borris the Stout que encanta itens apenas com aumento de atributos como mais força, vitalidade e etc. Vários outros NPCs seguem essa linha e produzem encantamentos específicos. Eles são raros e só podem ser encontrados em dungeons e não nas cidades.

Há quatro classes de personagens desta vez. O Berserker é o lutador corpo a corpo ofensivo; o Engineer pode lutar corpo a corpo ou a média distância e foca em tankar; o Embermage é usuário de magias; e o Outlander é o lutador de longa distância, mas também usa-se de invocações. Cada classe possui uma barra chamada Charge Bar que, quando carregada, dá diferentes bônus dependendo da classe de personagem. É uma mecânica interessante e bem utilizada.

Há algumas novas mecânicas nas batalhas. Quando você equipa duas armas do mesmo tipo, uma em cada mão, você ganha a chance de executar. O executar é simplesmente golpear com as duas armas simultaneamente e essa chance pode ser amplificada com pontos no atributo Focus. E a outra mecânica é que as armas corpo a corpo (com exceção das armas de punho) agora causam dano numa área a frente de seu arco de ataque atingindo mais de um inimigo. Apenas o alvo principal recebe todo o dano, os outros inimigos recebem dano reduzido.

Dungeons e missões

Torchlight II continua sendo um jogo linear. As missões do enredo são mais variadas pelo fato de haverem muito mais ambientes para se explorar. No entanto, elas continuam sendo do tipo vá do ponto A ao ponto B, recupere esse ou aquele item e mate o chefe. Simples e efetivo, mas nada inovador.

Já as missões secundárias são dadas por NPCs específicos de cada ato e elas possuem correlações com o enredo. A variedade é enorme se comparadas ao jogo anterior, no qual existiam três tipos bem específicos e repetitivos de missões secundárias.

Uma ótima adição foi o New Game +. Ele permite que você reinicie a aventura com o mesmo personagem, mas mantendo todos os seus itens, equipamentos, níveis e técnicas. Os monstros começam num nível mais alto também. O objetivo também é finalizar o seu personagem e conseguir os melhores equipamentos. Mas subsequentes New Game + aumentam o nível dos monstros ao ponto de alcançar o nível 120 no NG+ 5. Portanto, você pode finalizar o seu personagem e se desafiar a enfrentar oponentes de nível mais alto.

Também há a opção de explorar o Mapworks. Nele você encontra alguns NPCs e um deles vende mapas que abrem portais para dungeons com níveis fixos. Os níveis também podem passar do 100, então é uma opção caso você não queira ter de fazer as missões do enredo de novo.

Finalizando

Torchlight II trouxe grandes melhoras em relação a seu antecessor. O que havia de bom voltou e o que era um pouco problemático (encantamentos) foi melhorado significativamente. Houve um salto enorme no quesito gráfico e sons. A jogabilidade também melhorou bastante e a possibilidade de customização dos personagens também aumentou. O game possui um fator replay altíssimo e corrige um dos principais problemas de seu antecessor: a falta do multiplayer. Neste jogo é possível jogar via internet ou LAN. Para jogar pela internet é preciso criar uma conta gratuita no site da Runic Games.

O game possui um preço um pouco salgado para o padrão dos jogos independentes: R$ 35,00. Portanto, é bom estar de olho para quando uma boa promoção aparecer. O jogo vale sim os R$ 35,00, mas economizar nunca é algo ruim! Ele também tem uma versão de demonstração. Basta acessar a página na loja Steam e baixar. Clique aqui para visitar a página do jogo na Steam.

Gostou do post? Então compartilhe com seus amigos e nos ajude na divulgação. É muito importante para nós! Deixe sua opinião sobre os jogos aí nos comentários! Siga-nos nas redes sociais para sempre ficar sabendo quando houverem novas postagens! E inscreva-se nos nossos canais no Youtube para ser informado quando saírem os vídeos!

Compartilhe isto:
%d blogueiros gostam disto: