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out 28

Gamer Nostálgico – Comix Zone, o Beat ‘em Up mais legal do Mega Drive!

Comix Zone

Comix Zone é um jogo do estilo beat ‘em up que foi lançado para o Mega Drive em 1995. Ele foi desenvolvido pelo Sega Technical Studio e é um dos games mais bonitos do console. Apesar de ser considerado um clássico, ele é um jogo pouco conhecido do grande público. Eu tenho um carinho especial por ele, pois foi um dos jogos que mais me marcou na infância. Por isso, decidi fazer a análise dele e contar como o conheci.

Clássico obscuro

Este game é um grande clássico do Mega Drive e também um dos últimos jogos do console. No entanto, ele é um jogo bastante obscuro, ou seja, pouca gente o conhece. Apenas fãs mais hardcores da Sega realmente o conhecem. Apesar de ser um dos games de melhor aspecto técnico do console, ele passou desapercebido em sua época de lançamento.

Em 1995, a geração 32-bits já estava começando e os consoles de 16-bits estavam entrando na fase final de suas vidas. Nesse período, tanto o Mega Drive quanto o Super Nintendo estavam em seu ápice técnico. Jogos com ótimos gráficos foram lançados para ambos os consoles. Isso porque já havia se passado tempo suficiente para que as empresas pudessem explorar o hardware dos consoles. Sendo assim, era possível tirar o máximo proveito da capacidade de ambos.

Entretanto, com a chegada do Playstation, muitas empresas passaram a se interessar mais pelas novas tecnologias. Os gráficos 3D estavam chegando com força total e as companhias queriam começar a testar as novas possibilidades. Isso também vale para a própria Sega que já estava desenvolvendo seu próprio videogame de 32-bits, o Sega Saturn. Sendo assim, o marketing também estava se voltando para a próxima geração. E graças a isso, muitos desses jogos lançados no fim da vida dos 16-bits não tiveram uma boa divulgação. Esse é o motivo pelo qual Comix Zone passou despercebido, mesmo com suas qualidades.

Gráficos

O aspecto gráfico é um dos que mais se destaca em Comix Zone. A temática do game gira em torno das histórias em quadrinhos e, por isso, o jogo possui gráficos neste estilo. Os personagens e cenários são desenhados a mão e são bem detalhados. No jogo, o personagem se movimenta através de painéis como se fosse numa revista em quadrinhos mesmo. Cada novo painel possui um cenário de fundo diferente, o que torna a ambientação bem variada. Uma das coisas mais bacanas é a água no jogo. Ela é muito bem feita e animada. É a água mais bonita e bem feita que já vi num jogo 2D.

Outra coisa a se mencionar são as animações. Elas são extremamente bem feitas e detalhadas. Todos os personagens possuem movimentos únicos e variados. A movimentação dos personagens em Comix Zone é uma das mais detalhadas que já vi num jogo 2D.

Os gráficos dão uma bugada as vezes. Certos efeitos como explosões ou certas áreas no jogo possuem tantos sprites que, às vezes, o Mega não aguenta e os sprites somem e o jogo fica lento. Isso ocorre raramente, no entanto.

O jogo também possui cutscenes na abertura e no final para ilustrar o enredo. E elas são impressionantes também. Não tem mesmo o que falar. Graficamente, Comix Zone é um dos jogos mais bonitos do Mega Drive. Aliás, é um dos jogos 2D mais bonitos já feito também. Ele impressiona mesmo hoje em dia.

Trilha e efeitos sonoros

As músicas também são muito boas. Elas são, em sua grande maioria, no estilo rock. Não há muita variação em termos de instrumentos utilizados. Em todas as músicas é possível escutar a mesma guitarra tocando. Eu diria que, apesar da trilha ser boa, falta mais variedade musical no jogo.

O jogo possui algumas vozes e elas possuem uma ótima qualidade. É possível entender perfeitamente o que é dito pelos personagens. Um problema comum em relação a vozes em jogos antigos é justamente a falta de clareza sonora. Em muitos jogos não dá pra entender direito o que o personagem diz, devido à qualidade da mixagem. Este não é o caso neste game.

Outros efeitos sonoros também são de boa qualidade. O som de quando você bate no inimigo lembra um pouco sons de desenhos de ação. Isso ajuda na ambientação do jogo, já que este tenta ser num estilo de quadrinhos mesmo. Quadrinhos quando são adaptados para séries animadas tendem a receber sons neste estilo.

O som das explosões no jogo são bem convincentes. Sem falar no som de quando um inimigo voa e bate numa parede! Isso dá uma sensação ótima no jogador. Você realmente sente o impacto dos seus ataques. É muito bom!

Enredo

Neste jogo você encarna Sketch Turner, um desenhista que está produzindo uma série de histórias em quadrinhos. Numa certa noite tempestuosa enquanto trabalhava, Sketch é atacado por sua própria criação. Um relâmpago atinge os quadrinhos e, subitamente, o vilão Mortus, um poderoso mutante, ganha vida e sai do painel. Ele agarra Sketch e o arremessa dentro dos quadrinhos. Agora Mortus tem o poder sobre Comix Zone, a obra de Sketch, e fará de tudo para matá-lo, o que libertará o vilão em nosso mundo para que ele possa dominá-lo.

Games desta época nunca tiveram grande foco no enredo, devido às limitações técnicas dos consoles. No entanto, Comix Zone foge à regra e traz um enredo mais complexo. O jogo também possui dois finais diferentes. Isso é determinado durante a batalha final, pois esta tem um tempo limite. Se você vencer Mortus dentro deste tempo, você verá o final bom. Caso contrário, você verá o final ruim. Na verdade, isso não é algo novo no Mega Drive. The Revenge of Shinobi funciona da mesma maneira que Comix Zone, possuindo dois finais que são determinados durante a batalha com o último chefe.

Jogabilidade

Comix Zone é um beat ‘em up. Trata-se de um estilo de jogo, no qual o jogador precisa atravessar as fases, enquanto luta contra vários inimigos no caminho num estilo de jogo de luta. O personagem possui vários movimentos ofensivos diferentes e pode usá-los de maneiras diferentes para lidar com seus oponentes.

Esse é o melhor aspecto do jogo, de longe. Diferente de outros games desse estilo na época, Comix Zone usa movimentação linear. Ou seja, seu personagem se move em uma única linha, ao invés de se mover em quatro direções. Isso limita suas opções de esquiva, mas permite mais liberdade com os controles. O jogador pode usar o D-pad para executar movimentos diferentes dependendo da direção pressionada. Por exemplo, apertar só o botão de ataque faz com que o personagem soque. Se você usar o direcional pra cima, Sketch passa a usar chutes altos. E se apertar para baixo, chutes baixos.

É possível combinar movimentos diferentes para executar combos. Sketch também possui movimentos de finalização que são executados ao final de uma sequencia bem sucedida (não bloqueada pelo inimigo) ou através de um botão de atalho, caso você use o controle de seis botões. É, este é um dos poucos jogos do Mega que tem suporte nativo ao controle de seis botões. Neste controle, os botões X, Y e Z são utilizados como atalho para usar itens.

Escolha seu joystick

Vou explicar melhor. Você encontrará ao longo do jogo vários itens como dinamite, granadas e bebidas. Você só pode carregar no máximo três itens. No controle de seis botões, cada um dos botões superiores (X, Y e Z) são usados para os respectivos slots de item: X para o slot 1, Y para o slot 2 e Z para o slot 3. Com isso, os botões A, B e C podem ser configurados de uma maneira mais livre. Um dos botões passa a ser dedicado a bloquear ataques ou como atalho para um ataque finalizador.

Agora se você só tem o controle de três botões suas opções tornam-se mais limitadas. Um dos botões é sempre dedicado a atacar e outro para pular em ambos os controles, obviamente. Mas no controle de três botões, o botão que sobra passa a ser dedicado exclusivamente a selecionar os itens nos slots. Isso não somente é menos versátil como também é bem mais lento. No controle de seis botões basta apertar o botão do item que você quer usar e pronto. Já no controle de três botões é preciso selecionar os itens antes de usá-los. Isso deixa você exposto e vulnerável, caso precisa utilizar um item no meio de uma luta.

O joystick padrão do Mega não é a melhor opção neste game.

O joystick padrão do Mega não é a melhor opção neste game.

Herói super versátil

Sketch Turner é um dos heróis de jogos de briga de rua mais versáteis que já existiu. Além de poder executar socos, chutes e finalizações, ele também pode agarrar e arremessar inimigos. Combos podem ser seguidos ou não de finalizações. Ele pode bloquear ataques, pode rolar, dar voadora. E ele também possui um movimento único. Segurando o botão de ataque por um tempo, Sketch pode arrancar um pedaço de papel do painel e transformar num avião de papel. Ele, então, o arremessa e isso mata qualquer inimigo normal instantaneamente. No entanto, use com moderação, pois isto custa vida. E tome mais cuidado ainda, pois o avião é letal com os inimigos e também com você! E ele volta como um bumerangue, então esteja preparado!

Inimigos e dificuldade

Comix Zone é um jogo bem curto. Ele possui apenas três capítulos, cada um com duas áreas, o que totaliza seis fases. Para prolongar o tempo de vida do game, os desenvolvedores fizeram algo bem comum para jogos antigos: fizeram o game ser difícil pra caramba!

Existem poucos inimigos no jogo (um total de apenas 8), mas todos possuem sprites, ataques e animações únicos. É justamente por isso que não existem tantos inimigos. Eles possuem tantos movimentos e ataques que os fazem parecer personagens de jogos de luta mesmo. A inteligência artificial dos mesmos é boa. No começo é fácil encaixar combos e finalizações neles, mas eles ficam mais difíceis nas fases mais avançadas. Passam a ser mais agressivos e a bloquear com mais frequencia.

Fora os inimigos, o game também possui seções com armadilhas como abismos e minas. Nessas áreas o jogador precisa prestar bastante atenção aos movimentos que vai fazer. Pequenos erros são fatais neste jogo. Itens de recuperação de vida são raros, portanto o jogador precisa evitar de ficar levando dano. Vale mencionar que também há quebra-cabeças no jogo e isso é bem bacana, pois o jogador precisa pensar bem para descobrir a melhor maneira de passar sem gastar vida ou itens a toa.

A parte mais difícil, no entanto, é o fato de que você só tem uma vida. Se morrer em uma das duas primeiras fases, é game over instantâneo. Se você conseguir chegar ao capítulo 2, você ganha uma chance extra. Se chegar ao terceiro também. Mas pára por aí. Ou seja, você pode ter no máximo três vidas nesse jogo. Como existem muitas armadilhas como bombas nas fases finais, isso deixa o jogo realmente complicado. Você vai precisar de muita paciência e perseverança se quiser finalizar este jogo.

Como eu conheci o Comix Zone

Essa é uma história bem interessante. Eu conheci o jogo através de uma locadora de vídeo que existia no meu bairro. Isso foi lá por volta da metade dos anos 2000. É, nessa época ainda existiam locadoras de filmes. Sim, era uma locadora de filmes em VHS. O dono tinha umas fitas de Mega Drive (umas 9, eu acho) e alugava elas. Foi através dela que eu conheci o jogo. Quando eu joguei pela primeira vez, meus miolos quase explodiram! Eu fiquei embasbacado com aqueles gráficos. “Aquilo era mesmo um jogo de Mega Drive?!”, era o que me perguntava.

Eu aluguei o jogo umas trocentas vezes. Fora ele, também aluguei Desert Demolition que é o jogo do papa-léguas e do coiote; Exile, um RPG totalmente desconhecido que joguei e zerei antes de mesmo de saber inglês ou o que diabos era um RPG; Ultimate Mortal Kombat 3 (esse dispensa apresentações); e Flintstones e Blaster Master 2 que aluguei só uma vez, pois não funcionaram.

Após gastar rios de dinheiro alugando a fita, resolvi tentar algo que nunca tinha feito antes. Eu tentei trocar uma fita que eu tinha pela do Comix Zone com o dono da locadora. Eu tive que argumentar bastante, mas, eventualmente, eu consegui fazer a troca! E tenho a fita até hoje!

Essa é a minha fita do Comix Zone!

Essa é a minha fita do Comix Zone!

Troca justa?

A parte interessante é a fita que eu usei na troca. Era uma fita de jogo de Dragon Ball chamado Dragon Ball Final Bout. Não sei se esse jogo é oficial ou se é algum jogo pirata, mas sei de uma coisa: ele era tosco! Controles terríveis, jogabilidade travada e lutas lentas pra caramba. Nem parece jogo do Mega!

Suposto cover do jogo. Ainda tenho minhas dúvidas se esse jogo é oficial (licensiado).

Suposto cover do jogo. Ainda tenho minhas dúvidas se esse jogo é oficial (licenciado).

Enfim, eu consegui fazer a troca e, então, foi só alegria! Joguei Comix Zone pra caramba até me cansar. Zerei um milhão de vezes, fiz os dois finais e até fiz umas zoeiras com o jogo! Descobri uns bugs interessantes que as vezes até me forçavam a resetar o jogo. Melhor negócio que já fiz na vida! Troquei um jogo tosco por um jogo épico! Yeah!

Finalizando

Comix Zone é, sem dúvida, um dos top 10 melhores jogos do Mega Drive. Seus gráficos são incríveis e a jogabilidade é excelente. As músicas e sons são muito bons também. O desafio é um insano, mas nada impossível. Este é um jogo que recomendo a qualquer um que goste de jogos de luta ou briga de rua. Ele é desafiador, divertido e impressiona mesmo hoje em dia. O jogo pode ser obtido na Steam e jogado através do Sega Mega Drive & Genesis Classics. Clique aqui para ver a página do jogo na Steam!

Uma última coisa que esqueci de mencionar é que o jogo foi relançado anos depois para o Game Boy Advance. O jogo é basicamente o mesmo, exceto que a qualidade sonora é pior por se tratar de um portátil.

Irei estrear o meu novo canal no Youtube com um gameplay do jogo para acompanhar esta review. Ele deve sair ainda este fim de semana. Quando estiver pronto atualizarei este post com o vídeo e o link pro canal. Aguardem!

E você? Já conhecia Comix Zone? O que acha dele? Se não conhecia, pretende jogá-lo? Deixe sua opinião aí nos comentários e lembre-se de compartilhar com seus amigos! Siga-nos nas redes sociais e inscreva-se para receber novas postagens por email!

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